Queria ter coragem de dizer
Não posso ter
Falar teu nome
"Rrio"
Assim, com érre dobrado
Como diria minha avó
Que diria sorrindo
Queria ter a coragem de minhas avós
Que diriam sorrindo
Assim, teu nome
Eu te procuro em sonhos
Abraço apertado meus travesseiros
Ilusão de ser você
Recordo seu beijo
Diria a letra do Poeta
Ele diria sorrindo
"Foi um rio que passou em minha vida"
sexta-feira, 20 de abril de 2018
sexta-feira, 16 de março de 2018
varrendo o lar
"A minha Casa é guardiã do meu corpo
E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência
E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água da tua boca.
A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
A uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla, argonauta
Por que recusas amor e permanência?"
Hilda Hilst
Nem bem retornou
Não crusou o capacho, mas já me coloquei ali
Na porta a esperar por uma chegada que não vem
A seguir, mas em espera
Tempo que não veio e não virá
Você é fiel a si e suas vontades
Evidentemente não sou uma Delas
Nem quero ser
mais um enfeite na sua cama
Esperando que você entre e bagunce tudo
Coisas que ainda nem terminei de arrumar
Ainda garoa por aqui
Por baixo da terra, mesmo no sol corre um rio
Tola, eu mesma assopro a brasa
Fico cega da fumaça que criei
Pra poder não te enxergar
De olhos vermelhos
Paixão, lágrimas, fogo
Me vejo no espelho e ainda que te deseje
Que cada parte do meu corpo conheça o teu nome
É pelo meu que devo viver
É pra mim que devo sorrir
É a mim mesma que escolho amar!
E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência
E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água da tua boca.
A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
A uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla, argonauta
Por que recusas amor e permanência?"
Hilda Hilst
Nem bem retornou
Não crusou o capacho, mas já me coloquei ali
Na porta a esperar por uma chegada que não vem
A seguir, mas em espera
Tempo que não veio e não virá
Você é fiel a si e suas vontades
Evidentemente não sou uma Delas
Nem quero ser
mais um enfeite na sua cama
Esperando que você entre e bagunce tudo
Coisas que ainda nem terminei de arrumar
Ainda garoa por aqui
Por baixo da terra, mesmo no sol corre um rio
Tola, eu mesma assopro a brasa
Fico cega da fumaça que criei
Pra poder não te enxergar
De olhos vermelhos
Paixão, lágrimas, fogo
Me vejo no espelho e ainda que te deseje
Que cada parte do meu corpo conheça o teu nome
É pelo meu que devo viver
É pra mim que devo sorrir
É a mim mesma que escolho amar!
Querência
A minha ausência tem nome
Esse buraco se chama inexistência
Nossas faltas diferem
Parte de mim sente a ausência do gozo compartilhado
Parte chora a cia que não teve
Vontade do porre de pinga
Do vômito
Sim, das escatológias que só a intimidade apresenta
Dos cheiros ruins
Não dá louça acumulada de batons distintos,
Mas dos relatos que são quase inaudíveis
Por ser segredo
Vontade da troca de individualidade
Eu deitada na rede
Você se planejando na cadeira
De te comer sem ânsia,
Sem pressa
Te degustar na paz de quem não teme
Por fim lamento que seu desejo se resuma em partes peludas
Enquanto o meu anseia pela leveza de dias e besteiras
Querencia
Esse buraco se chama inexistência
Nossas faltas diferem
Parte de mim sente a ausência do gozo compartilhado
Parte chora a cia que não teve
Vontade do porre de pinga
Do vômito
Sim, das escatológias que só a intimidade apresenta
Dos cheiros ruins
Não dá louça acumulada de batons distintos,
Mas dos relatos que são quase inaudíveis
Por ser segredo
Vontade da troca de individualidade
Eu deitada na rede
Você se planejando na cadeira
De te comer sem ânsia,
Sem pressa
Te degustar na paz de quem não teme
Por fim lamento que seu desejo se resuma em partes peludas
Enquanto o meu anseia pela leveza de dias e besteiras
Querencia
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
peito com fome | punho fechado
Joguei pro universo a promessa
não te darei mais nada!
Logo eu que não faço questão de cumprir palavra de desamor...
Ficou guardada em mim a paixão
A história que as cartas ciganas contaram
Que o nosso medo não realizou
Nos enganamos?
Tantas vezes me desarmei pra te encontrar
e foram poucas
Você sempre com a lança na mão
Nos olhos
Nos dentes
Na alma
Crianças!
de peito com fome
dos punhos fechados
Memória gravada em pedra
O sexo que não fizemos
A água fria da cachoeira que não nos banhou
Ainda tremo andando nas ruas
quando na esquina cruzo com o menino que provoca arrepio
Trás na boca um sorriso largo e vadio
Na barba a cor do fogo
A sua cor
não te darei mais nada!
Logo eu que não faço questão de cumprir palavra de desamor...
Ficou guardada em mim a paixão
A história que as cartas ciganas contaram
Que o nosso medo não realizou
Nos enganamos?
Tantas vezes me desarmei pra te encontrar
e foram poucas
Você sempre com a lança na mão
Nos olhos
Nos dentes
Na alma
Crianças!
de peito com fome
dos punhos fechados
Memória gravada em pedra
O sexo que não fizemos
A água fria da cachoeira que não nos banhou
Ainda tremo andando nas ruas
quando na esquina cruzo com o menino que provoca arrepio
Trás na boca um sorriso largo e vadio
Na barba a cor do fogo
A sua cor
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
EU EU EU | muro de gente | quanto pesa 1kg de pena?
"É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática."
Paulo Freire
Quando a exceção vira a regra
tem algo errado!
Quando o contratempo se torna cotidiano
tem algo errado!
Eu não sou exemplo, referência de nada nem ninguém. Não quero ser!
Eu quero ser EU.
Eu quero acordar EU, tomar café EU, ir trabalhar EU, voltar pra casa EU e me esparramar EU MESMA.
Só
Ser
EU!
Todos os dias eu tenho certeza que terei trinta minutos de paz: meu despertador toca, eu desligo e fico deitada apenas sentindo como é ser de carne, osso, alma e sentimentos.
A partir do momento que eu coloco meu pé no tênis me torno Rinoceronte.
São camadas de escudo, mesmo que eu deseje ir apenas na padaria.
Preciso me defender dos olhares assediadores, dos pensamentos julgadores, das falas ácidas, das piadas maldosas, das ações irresponsáveis, preciso me proteger da revolta do racista por ver EU mulher negra andando pelas ruas sem uma corrente de metal na perna...
Imagino o quão delicioso é estar leve. Por que ser leve, EU sou!
(suspiro)
EU me esforço
Exercito
Consigo
Acerto
Falho
Humanx sabe?
Sabe?! - enfatizar
Não espero cem porcento, mas é frustrante quando vem nada...
Expectativa - riscar!
Tornar-se adulto é aprender que as coisas mais importantes da vida não são coisas e que provavelmente vai dar pra contar tudo numa única mão!
Mudar... Mudar...
Tem certeza que sou EU que preciso fazer isso?
Paulo Freire
Quando a exceção vira a regra
tem algo errado!
Quando o contratempo se torna cotidiano
tem algo errado!
Eu não sou exemplo, referência de nada nem ninguém. Não quero ser!
Eu quero ser EU.
Eu quero acordar EU, tomar café EU, ir trabalhar EU, voltar pra casa EU e me esparramar EU MESMA.
Só
Ser
EU!
Todos os dias eu tenho certeza que terei trinta minutos de paz: meu despertador toca, eu desligo e fico deitada apenas sentindo como é ser de carne, osso, alma e sentimentos.
A partir do momento que eu coloco meu pé no tênis me torno Rinoceronte.
São camadas de escudo, mesmo que eu deseje ir apenas na padaria.
Preciso me defender dos olhares assediadores, dos pensamentos julgadores, das falas ácidas, das piadas maldosas, das ações irresponsáveis, preciso me proteger da revolta do racista por ver EU mulher negra andando pelas ruas sem uma corrente de metal na perna...
Imagino o quão delicioso é estar leve. Por que ser leve, EU sou!
(suspiro)
EU me esforço
Exercito
Consigo
Acerto
Falho
Humanx sabe?
Sabe?! - enfatizar
Não espero cem porcento, mas é frustrante quando vem nada...
Expectativa - riscar!
Tornar-se adulto é aprender que as coisas mais importantes da vida não são coisas e que provavelmente vai dar pra contar tudo numa única mão!
Mudar... Mudar...
Tem certeza que sou EU que preciso fazer isso?
sábado, 13 de janeiro de 2018
menos que tudo | meio de rua
Não quero te dar palavras
Palavras amor, dor
Palavras...
Não quero tocar o vazio
Trocar com o medo
Brincar de dueto sem par
Não quero me esconder
Na cama, no canto, no quarto...
Sou gargalhada alta
Mãos dadas na chuva
Beijo de língua no meio da rua
E menos que isso não me comporta
Menos é morte lenta
Menos não quero
Menos não dá
Eu sou mais
Quem vai pular?
Palavras amor, dor
Palavras...
Não quero tocar o vazio
Trocar com o medo
Brincar de dueto sem par
Não quero me esconder
Na cama, no canto, no quarto...
Sou gargalhada alta
Mãos dadas na chuva
Beijo de língua no meio da rua
E menos que isso não me comporta
Menos é morte lenta
Menos não quero
Menos não dá
Eu sou mais
Quem vai pular?
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
severa saudade
severa saudade consome
coisa que lateja
lugar sem nome
brota vão, espaço
que é completo e não falta
mas carece
tomada pelo braço
ponho-me a te escrever
que esse canto não dói
mas não demore
amanhã é dia que não nasceu
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
(re)encontro | calor bom
A luz da lua
Da noite
Da rua
Te vi montado sobre mim
Eu onça
Eu gato
Eu nua
Você peixe
Você tigre
Você sol
Sorrindo
Lábio entre abrindo
Pernas completamente abertas
Corpo macio
Encaixe
(Re)encontro
Carne doce
Mistura de cheiros, gemidos
Te nomeio
Te batizo
Calor bom!
Da noite
Da rua
Te vi montado sobre mim
Eu onça
Eu gato
Eu nua
Você peixe
Você tigre
Você sol
Sorrindo
Lábio entre abrindo
Pernas completamente abertas
Corpo macio
Encaixe
(Re)encontro
Carne doce
Mistura de cheiros, gemidos
Te nomeio
Te batizo
Calor bom!
domingo, 3 de dezembro de 2017
eu ou nós
Não sei se todos sabem, mas sou Musicoterapeuta e provavelmente vai soar como novidade pra muita gente, porque normalmente eu não falo da minha graduação simplesmente porque eu tenho o mau "costume" de me sentir meio fraude. Não sei ler partituras. Não lembro como "reger" o tempo com as mãos. Não sei tocar violão. Nessa sociedade x negrx é tido como alguém que sabe menos e hoje percebo o tanto que eu ainda sofro com essa crença limitante.
Minha escola na música começou aos sábados, solfejando os "tican can can" do maracatu. Eu sempre me lembro com calor e alegria do que senti quando vi a batucada pela primeira vez e eu disse pra amiga que me apresentou para aquele universo "Marcela, obrigada por trazer minha alma pra casa!".
Sou filha de uma mulher branca e de um homem negro, eu era a neta branca nas festas da minha avó Horminda e a "morena" das festas da minha avó Alayde - que Oxalá as tenha!
Só quem nasceu "pardx" no Brasil sabe o que é não saber quem é! Só quem nasceu nessa condição entende a emoção que dá quando a gente se encontra com a nossa raíz.
Minha vivência com o maracatu não foi só de flores e felicidades, talvez muita gente ainda negue, mas o rolê aqui em SP já foi bem mais branco e elitizado! As coisas têm mudado, num passo que ainda parece lento, mas inegavelmente está mais colorido.
O machismo também impera, mas a cada dia que passa as mina rocheda tão segurando o baque, o apito dando a letra nas toadas, revelando e denunciando as tantas violências que a gente já engoliu a seco!
Nesse caminho aí de música e encontros eu fiz grandes amigos, vivi amores e tem uma lista de pessoas que me ajudaram a chegar onde estou e eu sempre envio um axé pelo ar desejando que elxs sejam felizes.
Tem uma pessoa em especial que me ajudou a entrar na faculdade, quando eu já tinha me convencido que eu não era capaz e que isso não me serviria de nada meu primeiro namorado me convenceu a tentar e não me deixava desistir.
Um dia, num dos lugares que trabalhei como recepcionista, na empresa que eu mais sofri com racismo na vida eu quis concorrer a uma promoção para assistente administrativo e ouvi da minha chefe que eu devia me colocar no meu lugar.
Fui me encontrar com o meu irmão chorando muito, porque todas as vezes que as antigas assistentes brancas se demitiam por não aguentar a chefe eu acumulava função e fazia o meu trabalho de recepcionista e o delas: qual era o meu lugar então? Qual é o lugar da negra no mercado de trabalho?
Eu continuei buscando tentar responder a essa pergunta e eu encontrei parte da resposta! Encontrei o CAPS!
Em 2011 comecei a trabalhar na área da saúde mental e na minha primeira experiência num lugar que está para cuidar eu adoeci. Sofri intolerância religiosa pesada, pessoas se negavam a compartilhar objetos comigo e até devolveram ou doaram coisas que compraram de mim antes de saber que eu era umbandista.
Eu trabalhava 40h semanais, ia direto pra faculdade em Santo Amaro, chegava em casa e fazia torta e lanches pra vender no dia seguinte, eu dormia DEZ HORAS POR SEMANA e eu nunca era boa o bastante em lugar nenhum. Eu queria morrer de verdade e planejava como fazer isso. Me tratei por mais de um ano para ansiedade e depressão.
Eu me formei, troquei de empresa e continuo trabalhando em CAPS. Muita coisa mudou nesse tempo, mas algumas coisas ainda acontecem: racismo, machismo e intolerância religiosa estão na lista das repetições.
Nesse sábado fizemos o fechamento da II Semana AfroCAPS com uma linda batucada e uma feijoada de responsa e quero repetir um pouco do que eu disse lá: apesar do clima de festa ainda temos muito pelo que batalhar, ainda temos muito que lutar! Num país que foi alimentado e nutrido pelo leite e sangue das mulheres negras não da pra aceitar esse não lugar que nos destinam. Nós não vamos mais pedir licença pra existir, nós vamos tomar o poder, a fala e os espaços!
Gratidão a minha família que está sempre comigo nas minha lágrimas e nos meus sorrisos!
Gratidão imensa a todas as pessoas que estão no relato da minha vida mesmo que "negativamente", eu batalho pra que mais ninguém precise aprender a se fortalecer com a dor que a discriminação provoca.
Gratidão as meninas que estiverem lá e as que não puderam, vocês estavam!
Gratidão pra quem emprestou instrumentos, pra quem me ensinou a tocar!
Gratidão aos colegas e amigos do trabalho que correram junto, que fizeram o exercício de se desconstruir e se refazer, se repensar, repensar a prática da nossa clínica!
Gratidão ao axé que corre nas minhas veias, gratidão a essa ancestralidade que me permeia todos os dias!
Minha escola na música começou aos sábados, solfejando os "tican can can" do maracatu. Eu sempre me lembro com calor e alegria do que senti quando vi a batucada pela primeira vez e eu disse pra amiga que me apresentou para aquele universo "Marcela, obrigada por trazer minha alma pra casa!".
Sou filha de uma mulher branca e de um homem negro, eu era a neta branca nas festas da minha avó Horminda e a "morena" das festas da minha avó Alayde - que Oxalá as tenha!
Só quem nasceu "pardx" no Brasil sabe o que é não saber quem é! Só quem nasceu nessa condição entende a emoção que dá quando a gente se encontra com a nossa raíz.
Minha vivência com o maracatu não foi só de flores e felicidades, talvez muita gente ainda negue, mas o rolê aqui em SP já foi bem mais branco e elitizado! As coisas têm mudado, num passo que ainda parece lento, mas inegavelmente está mais colorido.
O machismo também impera, mas a cada dia que passa as mina rocheda tão segurando o baque, o apito dando a letra nas toadas, revelando e denunciando as tantas violências que a gente já engoliu a seco!
Nesse caminho aí de música e encontros eu fiz grandes amigos, vivi amores e tem uma lista de pessoas que me ajudaram a chegar onde estou e eu sempre envio um axé pelo ar desejando que elxs sejam felizes.
Tem uma pessoa em especial que me ajudou a entrar na faculdade, quando eu já tinha me convencido que eu não era capaz e que isso não me serviria de nada meu primeiro namorado me convenceu a tentar e não me deixava desistir.
Um dia, num dos lugares que trabalhei como recepcionista, na empresa que eu mais sofri com racismo na vida eu quis concorrer a uma promoção para assistente administrativo e ouvi da minha chefe que eu devia me colocar no meu lugar.
Fui me encontrar com o meu irmão chorando muito, porque todas as vezes que as antigas assistentes brancas se demitiam por não aguentar a chefe eu acumulava função e fazia o meu trabalho de recepcionista e o delas: qual era o meu lugar então? Qual é o lugar da negra no mercado de trabalho?
Eu continuei buscando tentar responder a essa pergunta e eu encontrei parte da resposta! Encontrei o CAPS!
Em 2011 comecei a trabalhar na área da saúde mental e na minha primeira experiência num lugar que está para cuidar eu adoeci. Sofri intolerância religiosa pesada, pessoas se negavam a compartilhar objetos comigo e até devolveram ou doaram coisas que compraram de mim antes de saber que eu era umbandista.
Eu trabalhava 40h semanais, ia direto pra faculdade em Santo Amaro, chegava em casa e fazia torta e lanches pra vender no dia seguinte, eu dormia DEZ HORAS POR SEMANA e eu nunca era boa o bastante em lugar nenhum. Eu queria morrer de verdade e planejava como fazer isso. Me tratei por mais de um ano para ansiedade e depressão.
Eu me formei, troquei de empresa e continuo trabalhando em CAPS. Muita coisa mudou nesse tempo, mas algumas coisas ainda acontecem: racismo, machismo e intolerância religiosa estão na lista das repetições.
Nesse sábado fizemos o fechamento da II Semana AfroCAPS com uma linda batucada e uma feijoada de responsa e quero repetir um pouco do que eu disse lá: apesar do clima de festa ainda temos muito pelo que batalhar, ainda temos muito que lutar! Num país que foi alimentado e nutrido pelo leite e sangue das mulheres negras não da pra aceitar esse não lugar que nos destinam. Nós não vamos mais pedir licença pra existir, nós vamos tomar o poder, a fala e os espaços!
Gratidão a minha família que está sempre comigo nas minha lágrimas e nos meus sorrisos!
Gratidão imensa a todas as pessoas que estão no relato da minha vida mesmo que "negativamente", eu batalho pra que mais ninguém precise aprender a se fortalecer com a dor que a discriminação provoca.
Gratidão as meninas que estiverem lá e as que não puderam, vocês estavam!
Gratidão pra quem emprestou instrumentos, pra quem me ensinou a tocar!
Gratidão aos colegas e amigos do trabalho que correram junto, que fizeram o exercício de se desconstruir e se refazer, se repensar, repensar a prática da nossa clínica!
Gratidão ao axé que corre nas minhas veias, gratidão a essa ancestralidade que me permeia todos os dias!
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
desejo
desejo meu
esquecer
quem dera
ainda que recordar me pareça inevitável
que não seja fatal
que não me arda nos ossos
nem me dilacere em partes
tão miúdas, irreparáveis
sua presença
sombria
imaginada
não ensurdeça meus olhos
não cale meus ouvidos
nem me cegue a boca
e se ainda posso desejar algo
desejo meu
esquecer...
esquecer
quem dera
ainda que recordar me pareça inevitável
que não seja fatal
que não me arda nos ossos
nem me dilacere em partes
tão miúdas, irreparáveis
sua presença
sombria
imaginada
não ensurdeça meus olhos
não cale meus ouvidos
nem me cegue a boca
e se ainda posso desejar algo
desejo meu
esquecer...
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
invento da dúvida ou cicatriz
sou seu agora
nem última
não fui a primeira
sou sua agora
pedaço
parte
couro que raspa, enrosca
olhar que chama, incendeia
fura
gosto
gósto!
se tem, quando tem
suspiro úmido
volume por dentro
arde, tira e põem
cospe!
o que é?
não foi, nem será
paixão não dura tempos, não é eterno
amor é invento
é criação pra suportar
é mar de incerteza, vazio no meio da beleza
é corte de louça
cicatriz que nunca cura
nem última
não fui a primeira
sou sua agora
pedaço
parte
couro que raspa, enrosca
olhar que chama, incendeia
fura
gosto
gósto!
se tem, quando tem
suspiro úmido
volume por dentro
arde, tira e põem
cospe!
o que é?
não foi, nem será
paixão não dura tempos, não é eterno
amor é invento
é criação pra suportar
é mar de incerteza, vazio no meio da beleza
é corte de louça
cicatriz que nunca cura
sexta-feira, 22 de setembro de 2017
ensaios sobre as estações ou eu sou o rio
Nós resistimos!
Sobrevivemos a cada morte
Sangramos com cada ruptura
De braços e peito abertos, assistimos pessoas partirem, páginas virarem, flores murcharem, folhas caírem...
O Outono veio com a impiedade necessária abrir a minha mão e gritar com sua voz rouca e seca "deixa seguir, deixa o fluxo do rio correr!"
Ainda de joelhos senti o frio do chão percorrer meu corpo, tocar meu coração, fechar meus olhos e a minha boca: me engolir!
Me fiz silêncio
Me fiz solitude
Me fiz vazio
Me fiz raíz
Só aí pude ser completude e imensidão!
Generoso, o Inverno me abraçou de pé, me fez sentir amor e sussurrou "o rio ainda vive, mesmo quando não se pode ver!"
Nós resistimos!
E agora tímida e merecidamente sinto as cores, cheiros e sabores da primavera me envolver...
Seja bem vinda, vem acontecer!
Sobrevivemos a cada morte
Sangramos com cada ruptura
De braços e peito abertos, assistimos pessoas partirem, páginas virarem, flores murcharem, folhas caírem...
O Outono veio com a impiedade necessária abrir a minha mão e gritar com sua voz rouca e seca "deixa seguir, deixa o fluxo do rio correr!"
Ainda de joelhos senti o frio do chão percorrer meu corpo, tocar meu coração, fechar meus olhos e a minha boca: me engolir!
Me fiz silêncio
Me fiz solitude
Me fiz vazio
Me fiz raíz
Só aí pude ser completude e imensidão!
Generoso, o Inverno me abraçou de pé, me fez sentir amor e sussurrou "o rio ainda vive, mesmo quando não se pode ver!"
Nós resistimos!
E agora tímida e merecidamente sinto as cores, cheiros e sabores da primavera me envolver...
Seja bem vinda, vem acontecer!
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quinta-feira, 29 de junho de 2017
ainda era, mas foi também
Eu ainda pensava em você e te escrevia
Ainda pensava, não dá mesma forma ou com a mesma força...
Eu peso
Avalio!
Já não era mais o tempo todo nem o dia inteiro
Vez ou outra, na sua distração cotidiana você me "curtia" também, através duma foto que postava ou num texto que eu gostava, mas não redigia...
Eu ainda me pegava achando que você chegou no dia certo, mas que talvez tenha ido na hora errada e nos faltava coragem ou descendência de aceitar o agora e simplesmente deixar ir por completo
Ser hoje!
Ainda era muito difícil entender que eu não agi errado, fique tranquilo, você também não
Você não fez nada
Eu faço!
Faço frequentes séries de "seja bem vindx" pra vida e a eterna prática de aceitar que se já deu (ou não deu) pra quem "está" a porta de saída fica logo alí
Fechar uma caixa sozinha é mais difícil, mas depois de tanto silêncio e vazio fica fácil entender que não tem nada dentro dela pra mim ou que eu deva guardar.
Ainda era eu
Mas agora sou só pra mim
Ainda pensava, não dá mesma forma ou com a mesma força...
Eu peso
Avalio!
Já não era mais o tempo todo nem o dia inteiro
Vez ou outra, na sua distração cotidiana você me "curtia" também, através duma foto que postava ou num texto que eu gostava, mas não redigia...
Eu ainda me pegava achando que você chegou no dia certo, mas que talvez tenha ido na hora errada e nos faltava coragem ou descendência de aceitar o agora e simplesmente deixar ir por completo
Ser hoje!
Ainda era muito difícil entender que eu não agi errado, fique tranquilo, você também não
Você não fez nada
Eu faço!
Faço frequentes séries de "seja bem vindx" pra vida e a eterna prática de aceitar que se já deu (ou não deu) pra quem "está" a porta de saída fica logo alí
Fechar uma caixa sozinha é mais difícil, mas depois de tanto silêncio e vazio fica fácil entender que não tem nada dentro dela pra mim ou que eu deva guardar.
Ainda era eu
Mas agora sou só pra mim
quinta-feira, 8 de junho de 2017
caso esteja aí
Escrevi pra você, porquê não tivemos coragem de nos olhar nos olhos e se despedir
Deixei ali, junto das lágrimas não choradas, as palavras não ditas
Eu me virei e sei que você também não olhou pra trás
A gente apenas resolveu que era melhor assim
Seguir
Passos tontos
Mente perdida
Peito angustiado
Partes ainda quentes, pulsantes
O coração partido
O sorriso fingido
O beijo não dado
O adeus implícito
O sentimento não trocado
O violão arranhado
Retratos empoeirados
Lençóis amassados
Lembranças do gosto, do cheiro na tua pele
Gemidos
O dia foi passando
Foi no mês passado
https://youtu.be/CflFhqEzoEY
Deixei ali, junto das lágrimas não choradas, as palavras não ditas
Eu me virei e sei que você também não olhou pra trás
A gente apenas resolveu que era melhor assim
Seguir
Passos tontos
Mente perdida
Peito angustiado
Partes ainda quentes, pulsantes
O coração partido
O sorriso fingido
O beijo não dado
O adeus implícito
O sentimento não trocado
O violão arranhado
Retratos empoeirados
Lençóis amassados
Lembranças do gosto, do cheiro na tua pele
Gemidos
O dia foi passando
Foi no mês passado
https://youtu.be/CflFhqEzoEY
sexta-feira, 21 de abril de 2017
Éssepê
(H)á pertos
Há partos
O deslocamento imenso cotidiano
Aqui, ali, pra lá
Longamente sozinhos.
Poesia efêmera, mortal
Invisível, sutil
O aquilo que ninguém vê
Enquanto a cidade corre com pressa e medo
O aquilo que ninguém se
permite dizer que sente.
Cães tomam sol na barriga, patas abertas
Cadelas
Pernas e bocas abertas pro sol penetrar
As entranhas da cidade destruída distraída
Que corre com medo e com pressa
Sem nem saber onde quer chegar
quinta-feira, 13 de abril de 2017
gogóia
Meu cheiro é doce
Não se confunda com minhas palavras e temperamento fortes
Não se assuste com minha alma de faca e fogo
Fique se quiser, eu quero!
Mas se quiser partir vá sem demora, agora, na sua hora
Você pode, você deve!
Meu gosto é doce
Rapa dura não é mole
Eu sou raíz
Eu sou pimenta
Eu sou colo
Peitos, pelos, leite, palavras, pensamentos
Imensidão, desejos, lágrimas, sorrisos
Sou a linha fina que rompe
Rio
Remédio e veneno
Sou bagunça e movimento ainda que no mais absoluto silêncio
Não se confunda com minhas palavras e temperamento fortes
Não se assuste com minha alma de faca e fogo
Fique se quiser, eu quero!
Mas se quiser partir vá sem demora, agora, na sua hora
Você pode, você deve!
Meu gosto é doce
Rapa dura não é mole
Eu sou raíz
Eu sou pimenta
Eu sou colo
Peitos, pelos, leite, palavras, pensamentos
Imensidão, desejos, lágrimas, sorrisos
Sou a linha fina que rompe
Rio
Remédio e veneno
Sou bagunça e movimento ainda que no mais absoluto silêncio
quarta-feira, 12 de abril de 2017
sós
Não estamos sós no que sentimos
No bem querer que perdura, como queremos
E nas lembranças boas das conversas, risadas, músicas, cheiros, amor, beijos...
Não estamos sós nem com a distância
E mesmo sem um bis nós nos vemos
Via sonho e pensamentos
Conversamos
Na memória, na delícia da memória
Revivemos
E se nunca mais colocarmos os olhos, mãos, saliva e gozo um no outro
Ainda sim
Não estaremos sós
Seguimos juntos acarinhando o bem de dentro
No bem querer que perdura, como queremos
E nas lembranças boas das conversas, risadas, músicas, cheiros, amor, beijos...
Não estamos sós nem com a distância
E mesmo sem um bis nós nos vemos
Via sonho e pensamentos
Conversamos
Na memória, na delícia da memória
Revivemos
E se nunca mais colocarmos os olhos, mãos, saliva e gozo um no outro
Ainda sim
Não estaremos sós
Seguimos juntos acarinhando o bem de dentro
terça-feira, 21 de março de 2017
início de outono - primeira folha
O verão foi farto e rápido
Fiz algumas promessas que não cumpri...
Sedi ao meu próprio desejo
Mudei, cresci
Muitas coisas morreram dentro de mim e esse espaço ainda me inquieta
Não tenho medo, pois tudo que caiu serviu
As folhas secas, as páginas viradas
Tudo
Adubo
Me preparo pra vida, pra quem vem e pro que fica
O outono promete dias curtos e longas noites de reflexão
Fiz algumas promessas que não cumpri...
Sedi ao meu próprio desejo
Mudei, cresci
Muitas coisas morreram dentro de mim e esse espaço ainda me inquieta
Não tenho medo, pois tudo que caiu serviu
As folhas secas, as páginas viradas
Tudo
Adubo
Me preparo pra vida, pra quem vem e pro que fica
O outono promete dias curtos e longas noites de reflexão
domingo, 12 de março de 2017
falácia
Eu sinto muito, mas alguém precisa te dizer: o que falta na sua vida é um tanto de coragem e uma porção de honestidade!
Te falta coragem de encarar o lado B das coisas, pra saber dançar num dia cinza e frio, pra acordar do lado de espinhas e rímel borrado, pra comer uma buceta peluda, pra dividir a rede!
Te falta coragem pra aquecer a água do café, pra negar vantagens, pra me dizer/mostrar se isso tudo aqui tá certo ou se eu que tô classificada noutra sessão e tô fazendo discurso de deslocada.
Te falta a honestidade de assumir que gosta de mim o bastante pra me querer na bagunça do seu setlist, mas insuficiente pra me colocar nas recém tocadas, nas mais pedidas...
Te falta a honestidade de me retribuir com sinceridade, com uma cruel e necessária sinceridade
Me sinto uma completa idiota por ainda agora estar lhe oferecendo meu melhor e minha humilde e fosca verdade!
As minhas mesmas palavras
O texto que serve pra vocês 2, aliás serve pros 3, 4...
Foda-se!
Vocês falam de mulher, mas não sabem porra nenhuma da gente
Só o nome de vocês todos que muda mesmo, o resto baby
Cês não tem nada de diferente!
Te falta coragem de encarar o lado B das coisas, pra saber dançar num dia cinza e frio, pra acordar do lado de espinhas e rímel borrado, pra comer uma buceta peluda, pra dividir a rede!
Te falta coragem pra aquecer a água do café, pra negar vantagens, pra me dizer/mostrar se isso tudo aqui tá certo ou se eu que tô classificada noutra sessão e tô fazendo discurso de deslocada.
Te falta a honestidade de assumir que gosta de mim o bastante pra me querer na bagunça do seu setlist, mas insuficiente pra me colocar nas recém tocadas, nas mais pedidas...
Te falta a honestidade de me retribuir com sinceridade, com uma cruel e necessária sinceridade
Me sinto uma completa idiota por ainda agora estar lhe oferecendo meu melhor e minha humilde e fosca verdade!
As minhas mesmas palavras
O texto que serve pra vocês 2, aliás serve pros 3, 4...
Foda-se!
Vocês falam de mulher, mas não sabem porra nenhuma da gente
Só o nome de vocês todos que muda mesmo, o resto baby
Cês não tem nada de diferente!
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