quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

fones quebrados

Copos cheios
Beijos e olhares vazios
Corpos em fúria
O grito roco do sufoco
As paredes arranhadas  dos pedidos de socorro
Os olhos marejados e o andar vago de quem já se cansou de esperar e acreditar
A resposta pronta que mentirosa diz "já não importa mais"
Canta o gemido silencioso dos fones de ouvido e lamenta não ter com quem dividir a canção... 

sábado, 7 de janeiro de 2017

Iste

Feito menina rabisco em guardanapos pequenos versos bobos de rimas fáceis pra inspirar resoluções descomplicadas:

Paixão que insiste
Amor que resiste
Pensamento que persiste
Mas você... 


Em tempo, fique!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Obviamente

Deixe de ser escravo de você!
Deixa transbordar, deixa escorrer
Deixa ser, desaparecer, rolar
Deixa desaguar e encontrar
Deixa nascer
Deixa florir, frutificar, comer
Deixa de ser escravo do outro que é extensão de você
Deixa
Deixa sua crença pequena de querer conter
Deixa tudo mudar
Deixa viver
Deixa sua estupidez
Deixa de limitar
Deixa
Deixa falar
Deixa o chicote, o chinelo, o flagelo
Deixa de fazer parte com a solidão
Deixa agir o coração
Deixa cantar, dançar, errar
Deixa recomeçar
Deixa acontecer

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

você



As palavras se embaralham e não consigo dizer
Tantos anseios e nada explica
Paixão feito farpa afiada cravada no peito
Surgiu sem convite e agora suplico: se retira!
Meu corpo estremece e se aquece na lembrança do teu sorriso
Sua imagem brinca na minha retina
Na memória do gosto, do gozo, de dentro...
Me confundo nos desejos por tua boca, teu corpo, partir, teu suor, teus pelos...
Me abrigo
Sofro
Quero gritar seu nome
Quero gemer no seu ouvido
Engulo duro o choro, respiro
Como amor pode ser castigo?

Cajuína

A brisa da ganja, passa
O fogo do porre, apaga
A ilusão da esperança, borra
A força da sustentação, falha
O efeito do Rivotril, revoga
O salário, falta
A ponta do lápis, quebra 
Mas cajuína...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

silenciar

Foi no décimo terceiro dia de outubro no elevador do Hospital Maternidade São Camilo que chegou gritando e chorando à plenos pulmões!
O tempo passou e chorando à plenos pulmões
O tempo passou e plenos pulmões
O tempo passou e pulmões
O tempo passou
O tempo
O

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

juízo chapado

Pelas ladeiras quentes de mãos dadas com o invisível caminhei
A cada esquina dobrada esperava
Na casa do Amado deixei o sentimento escorrer em lágrimas
No mar quente de todos os Santos te entreguei


As águas frias do Rio nos fizeram mais ardentes
No asfalto te reencontrei

Os teus lençóis amassados ainda guardavam o cansaço, o contorno
No banheiro o resto de rastro
Dos teus lábios surgiu o verbo a palavra que pro teu suspiro deu corpo, deu formato
Brincadeira de menino?
Ego de macho?
Medo de gente?
Medo da gente?
Coração vagabundo que passa a perna em juízo chapado?!


"meu coração de criança não é só a lembrança de um vulto feliz de mulher"