terça-feira, 6 de dezembro de 2016

juízo chapado

Pelas ladeiras quentes de mãos dadas com o invisível caminhei
A cada esquina dobrada esperava
Na casa do Amado deixei o sentimento escorrer em lágrimas
No mar quente de todos os Santos te entreguei


As águas frias do Rio nos fizeram mais ardentes
No asfalto te reencontrei

Os teus lençóis amassados ainda guardavam o cansaço, o contorno
No banheiro o resto de rastro
Dos teus lábios surgiu o verbo a palavra que pro teu suspiro deu corpo, deu formato
Brincadeira de menino?
Ego de macho?
Medo de gente?
Medo da gente?
Coração vagabundo que passa a perna em juízo chapado?!


"meu coração de criança não é só a lembrança de um vulto feliz de mulher"

sábado, 12 de novembro de 2016

salva a dor

De viagem marcada, passagens e hospedagem pagas inicio o arrumar de malas!
Não penso no biquíni ou qual canga levar desejo mergulhar nua e nas águas baianas lavar a alma que a tanto pede por esse lugar.
Quero misturar minhas lágrimas as águas salgadas que um dia Yemanjá também chorou
Quero deixar quatro búzios com pedidos gravados e regar meu coração feito um botão de flor
Quero cantar pra Janaína e sentir a alegria dela me invadir o amor dela me acalentar
Quero que o sol seja o único que possa me ferir, mas que ele prefira com ternura me tocar
Quero que a Bahia de todos os Santos me abrace e que cada um me autorize um pedido, mesmo sabendo que eu tenho menos desejos do que a quantidade de Deuses que cercam o mar!
Que seja um encontro, mas também uma despedida
Que se fechem por completo os ciclos velhos, que se abram as portas e janelas e por fim que cicatrizem as feridas!

Salve a Bahia!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

ser retrô

Homens do mar, da areia ou do asfalto
Crendo ou descrentes de Deuses e do inferno
Desenganados do amor
Será mesmo?
Endeusam o elefante branco que passou
Juram em nome de suas bandeiras negar eternamente o amor
Não seria esta uma devoção?
A promessa de ser eternamente enamorado da solidão!
Sustentam suas imagens e abafam o sofrimento, evitam comer todo o doce com receio de uma ou outra parte que esteja azeda
Tsc tsc tsc...
Quem é mais tolx? 
Quem deve se desconstruir e despertar?
Quem deve abandonar e ceder?
É raso, é o suficiente?
Eu me pergunto se é mais ou menos verdade o que a gente troca, o que vivemos nas poucas horas... O que se sente?
Eu sinceramente respeito convicções tão convincentes e admiro quem as alimenta com tanta certeza e suposta leveza.

Por onde eu andei enquanto todos souberam se adaptar as mudanças do mundo? Aqui permaneço retrô!

Tento, arrisco, experimento, leio, mas não internalizo.

Enfim, é com certo pesar que lamento esse meu conservadorismo e concluo que ainda não sou disso!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

invisível indizível

Vontade que se faz sinônimo de saudade
Imagens,        lembranças          o
Nós    que     não       hà,      que       dura         o        suficiente        o
Instante     de  dois   que     se    estende     pelas   semanas     segue
Caminhando escondido pelos meses    e s  p   a    ç     a     d      o         s
Intimidade que existe?  Que te incomoda?
Universos que se afeiçoam, se encantam e regressam pros próprios cantos
Seguimos silenciosamente no acerto invisível e indizível, sem regras, sem letras, sem tratos, sem lados

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Saturnos I

Os minutos passam e marcam o tempo
Meu relógio ainda está sem bateria
Por dentro sei as horas
Por fora desalinho?

Na corrida dessa estrada
Não há medalhas na chegada
Não tem disparo na partida
Sigo em ruas não sinalizadas 
Não há mapas
Poucas pistas...

Na primeira volta o ponteiro não faz amigos
Na primeira volta não socializa
Coloca o prumo
Cobra o rumo
Te põe cansado
Te tira o riso
É tão pesado...

Move-se pra longe
Mostra-me pra onde
Leva-me pra cima
Mas cansa mais pra subir do que a decida

Decida!
Carrega a renúncia escolhida
A dor e delícia de cada alternativa

domingo, 9 de outubro de 2016

brotar

Do pensamento a boca
A língua
O beiço
Um segundo, um momento
Dito

Da razão ao dedo
A caneta, a tecla
Dois tempos, o filtro
Escrito

Do desejo da liberdade
O sonho
O anseio
O medo
Há possibilidade?
É questão de habilidade?
Treino, como a equilibrista?
Sobe no tecido, com força e leveza de bailarina?

Faz chave e se lança
Enfrenta a dor e a insegurança
Se prende na firma pra ganhar o ar
Prazer e dor, sorrir
Sorrir, a plateia olha pra ti
Sorrir e (re)inventar

Deixar florir, a palavra que brotar

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Histórias de Meadora: o silêncio que precede o esporro

Meadora abriu os olhos e custou a entender que estava caída no asfalto. Um apito nos ouvidos fazia com que ela só conseguisse escutar o som interno da própria respiração. Mãos feridas, pés cortados, o gosto metálico do sangue nos lábios, estilhaços cobriam seu corpo doído e cansado, tão cansado que nem tentou se levantar do chão. Percebeu movimento ao redor, uma vibração... Recordou-se de estar caminhando pela rua e repentinamente um silêncio estranho como se o mundo tivesse parado por um instante seguido de um barulho alto e um clarão que ergueu seu corpo e a lançou longe... Movimento ao redor, vibração aumentando... Seria uma segunda explosão?